BUÉNo dia 6 de dezembro de 2014, a MUBi participou na tertúlia “Bicicletas para todos”, um debate de ideias sobre a mobilidade em Famalicão e os desafios que se colocam aos vários parceiros na adoção de uma mentalidade mais “multimodal”. A iniciativa foi organizada pela Youth Union of People with Initiative (YUPI) e inseriu-se no relançamento das Bicicletas Urbanas Ecológicas (BUÉ – www.bicicletasbue.pt).

Neste debate houve oportunidade de ouvir as preocupações e orientações técnicas do Eng.º António Babo, responsável pelo estudo de mobilidade em Famalicão e Ricardo Cruz, um ativista da mobilidade e representante da MUBi.

IMG_0648Cerca de três dezenas de pessoas participaram no debate, entre cidadãos interessados no tema, representantes de associações desportivas, profissionais na área da mobilidade e urbanismo, parceiros. A iniciativa contou com a presença e o apoio do Diretor Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude do Norte, Manuel Barros e do Diretor Regional do IPDJ do Algarve, Luís Romão.

As BUÉ (Bicicletas Urbanas Ecológicas) nasceram há dois anos pelas mãos de jovens voluntários da YUPI. Atualmente, um cidadão, visitante ou estudante em Famalicão, entre os 16 e os 65 anos pode ter acesso a um parque renovado de 25 bicicletas. Depois da tertúlia, seguiu-se um passeio urbano com as BUÉ pela cidade. O projeto conta com o apoio de vários parceiros locais e internacionais.

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Uma das medidas mais importantes para tornar as zonas urbanas mais seguras e com maior qualidade de vida para os seus habitantes, é implementar medidas físicas que forcem as velocidades dos veículos motorizados a serem moderadas, de preferência até 30km/h, nas ruas em que o volume e a velocidade do trânsito motorizado o justifique. Tal permite diminuir drasticamente o nível de ruído nas zonas residenciais e aumentar significativamente a segurança, em zonas onde frequentemente brincam crianças, circulam muitos peões e utilizadores de bicicleta e vagueiam mesmo animais domésticos. Medidas físicas de acalmia de tráfego, quando eficientemente implementadas, também promovem o florescimento do comércio local, incrementando ainda a coesão da comunidade.

É essencial então compreender que medidas físicas de acalmia de tráfego providenciam maior sossego nos bairros, com a redução da poluição sonora, redução da poluição atmosférica e não menos importante, maior segurança para todos os habitantes, crianças e idosos principalmente. A questão da segurança urbana dos peões é também deveras relevante pois a energia cinética do veículo, fator importante na gravidade dos atropelamentos, é proporcional ao quadrado da velocidade. Significa isto que um atropelamento a 50km/h não implica estatisticamente o dobro da severidade em comparação com um atropelamento a 25km/h, mas o quádruplo, visto que a relação entre energia e velocidade é quadrática e não linear.

image05 De referir ainda que o número de atropelamentos tem vindo a aumentar e cerca de 80% registam-se em zonas urbanas. Em 2013 ocorreram mais de 5,000 atropelamentos em Portugal (mais 6% que no ano transato). Estes números são inaceitáveis. O excesso de velocidade dos veículos automóveis é um factor presente na quase totalidade dos atropelamentos. Em Portugal as medidas físicas para a redução da velocidade resumem-se, na grande maioria dos casos, às denominadas “lombas”, sendo por vezes meras peças de borracha aparafusadas ao pavimento.

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A comunidade de utilizadores de bicicleta definiu qual a sua contribuição para o crescimento económico na Europa

“Podemos criar mais emprego para os europeus através do investimento na promoção do uso da bicicleta, não só porque existe um histórico comprovado de criação de empregos verdes e sustentáveis, mas por causa das enormes contribuições que a bicicleta faz para os objectivos mais gerais da UE. Os nossos parceiros, as nossas empresas, e os decisores políticos estão prontos para aumentar os 650.000 postos de trabalho atualmente ligados à bicicleta e os €217 mil milhões anuais que o setor contribui para a economia da UE “, disse Kevin Mayne, Diretor de Desenvolvimento da Federação Europeia de Ciclismo (European Cycling Federation – ECF).

  Há três pontos importantes para a ECF, que correspondem a três novas publicações:

  • Precisamos de mais investimento em ciclismo, atribuindo subsídios da UE para medidas de apoio à bicicleta
  • Precisamos integrar a utilização da bicicleta em planos de crescimento
  • Precisamos de dar benefícios fiscais para os ciclistas


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Andar de bicicleta aumenta o emprego e o crescimento

De acordo com o relatório da ECF  Jobs and job creation in the European cycling sector, há hoje mais de 650.000 postos de trabalho a tempo inteiro relacionados com a bicicleta na Europa. Este número deverá aumentar para 1 milhão de postos de trabalho até 2020, se o uso da bicicleta duplicar a sua quota modal, como preconiza a visão da ECF.

Em termos de investimento, muitos Estados-Membros da União Europeia têm protegido fluxos de financiamento para a criação de emprego. Portanto, este estudo é um recurso para ajudar adeptos da promoção do uso da bicicleta a procurar financiamento também nessa área.  
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As políticas e os recursos para o investimento na utilização da bicicleta

Para facilitar os governos nacionais e regionais a ECF compilou os incentivos fiscais e de promoção mais eficazes a favor da bicicleta. Pela primeira vez na história, a ECF fornece estudos de caso de 11 países europeus, analisando o ponto da situação dos subsídios por quilometragem, abatimentos fiscais, e regimes de apoio à compra de bicicleta (“Commuting: Who pays the bill?“).

Em termos de recursos, a ECF descobriu que mais de €2 mil milhões podem ser desbloqueados para andar de bicicleta, a partir de subsídios da União Europeia até 2020. Este montante é três vezes superior ao do anterior período financeiro. “Devemos agir imediatamente para aproveitar esta oportunidade”, disse Adam Bodor, Diretor de Política Regional da ECF. Através da combinação de fundos nacionais e de capital privado com dinheiro europeu, os Estados-Membros podem beneficiar de um retorno notável sobre o investimento, ao cumprir os seus compromissos para o crescimento saudável e sustentável.

O momento de publicação de Cycling for Growth: Using European funds for cycling não poderia ser mais adequado a nível europeu quando a nova Comissão Europeia anunciou um plano de investimento de €300 mil milhões para atingir as metas de emprego e crescimento em 2020. Os utilizadores de bicicleta congratulam-se com o plano de investimento Junker com grandes esperanças. Através desses estudos, a ECF mostra que a utilização da bicicleta está pronta para desempenhar um papel importante no futuro da Europa e vamos usá-la para argumentar que a sua promoção deve receber também parte deste investimento.


MorejobsinclusiveEurope-940x698   Leia aqui a versão digital completa dos novos relatórios da ECF:


Tradução do artigo da ECF “Cycling for Growth Plan has been released

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Fazer “Outra Leitura da Cidade” foi o desafio que a Escola Secundária António Nobre do Porto fez aos seus alunos e para o qual convidou a MUBi. Para esta reflexão sobre a grande importância da mobilidade ativa na construção de cidades mais amigas dos seus cidadãos, foi organizada uma sessão de sensibilização que decorreu a 26 de novembro, no auditório da escola, e à qual assistiram algumas dezenas de alunos e vários elementos do corpo docente.

É sempre com enorme satisfação que a MUBi se faz representar nas escolas, partilhando com os jovens a sua visão e paixão pela mobilidade suave das bicicletas. Fica assim o registo de mais uma jornada de sucesso que esperamos sirva de motivação para outras escolas organizarem eventos semelhantes, na certeza de que os voluntários da MUBi tudo farão para colaborar da melhor forma possível.

Deixamos aqui o nosso agradecimento público à direção da E. S. António Nobre e à professora Fernanda Viegas pela iniciativa e pelo convite que tiveram a amabilidade de nos fazer.

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Exmo. Sr. Dr. Jorge Jacob, Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária,

No mesmo dia em que a Prevenção Rodoviária Portuguesa publicou um estudo em que demonstra claramente onde reside o problema para a segurança rodoviária em Portugal, ou seja, no número elevado de automóveis em velocidades excessivas, a ANSR iniciou uma campanha para “uma Responsabilidade Partilhada” no convívio rodoviário, que, segundo V. Exa., pretende informar os ciclistas sobre as alterações ao Código da Estrada, Lei n.º 72/2013 de 3 de setembro, que entrou em vigor no dia 1 de janeiro do presente ano.

Continuamos impressionados pelo esforço, investimento e persistência – raros nas instituições públicas portuguesas – por parte da ANSR, para assustar, educar e sensibilizar as vítimas.

Abaixo explicamos por que a “responsabilidade partilhada” é um conceito errado na abordagem ao problema da sinistralidade rodoviária entre veículos motorizados e utentes vulneráveis. Observamos também que a ANSR continua a realizar campanhas que retratam as formas de deslocações ativas como perigosas (neste caso, com vídeos, retratando sinistros com consequências graves) o que desencoraja as pessoas de utilizarem essas formas de deslocação. Dito isto, gostaríamos de congratular V. Exa. por finalmente se dirigir, mesmo que parcialmente, aos condutores dos veículos com maior velocidade, com mais massa e, consequentemente, com maior probabilidade de provocar danos, mortos e ferimentos graves.

1. A Responsabilidade Partilhada

O slogan escolhido para um dos vídeos – sempre que alguém arrisca quem sofre é o ciclista – leva-nos a questionar se o conceito de co-responsabilização é a forma correta de abordar a segurança entre um meio de transporte inerentemente perigoso e outro que tem e deve ter acesso universal. Relembramos que o ciclista, tal como o peão, pode naturalmente ser uma criança ou um idoso, sem a necessidade de uma licença de condução. O próprio conceito de “Responsabilidade Partilhada” contradiz o espírito e a letra da revisão do novo Código da Estrada na definição de “Utilizador Vulnerável”. É um conceito felizmente ultrapassado na maior parte da legislação europeia e que contraria até a Diretiva 2009/103/CE do Parlamento Europeu e do Conselho. Nenhuma campanha de proteção dos utentes vulneráveis verdadeiramente eficaz se poderá basear neste princípio.

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