Pedalar no dia-a-dia tem várias vantagens tangíveis para os ciclistas urbanos, para Portugal e para o planeta.

  1. Custo – São precisos quatro meses de salário médio líquido de um português (cerca de 750€) para pagar as despesas totais do automóvel ao longo de um ano. Elas são o seguro, o combustível, as revisões, reparações, possível crédito automóvel, desvalorização do veículo, lavagens, eventuais multas, IUC, portagens e parqueamento. Esse custo total ultrapassa muitas vezes os 500€ por mês. Com a utilização da bicicleta no quotidiano pode poupar grande parte destes custos, essencialmente nos custos que dependem da utilização do automóvel.
  2. Saúde – Faz-se exercício de forma moderada e regular, tal como recomendam os médicos. A atividade ciclística contribui também para uma maior regulação do peso, diminui a probabilidade de incidência de hábitos tabágicos, diminui a incidência de hipertensão ou de doenças cardiovasculares (a maior causa de morte em Portugal) regulando também a atividade intestinal. Contribui ainda para uma boa disposição psicológica do seu utilizador.
  3. Poluição do ar e alterações climáticas – Um terço das emissões de Dióxido de Carbono (CO2) vem dos transportes, onde os automóveis têm grande preponderância. Sendo o CO2 um Gás com Efeito de Estufa, emitido em larga escala provoca aquecimento global, alterações climáticas (mais secas e intempéries) e subida do nível médio do mar. Os automóveis também emitem muitos outros gases poluentes que são extremamente severos para a saúde dos seres humanos como monóxido de carbono (CO), óxido de nitrogénio (NOx), partículas em suspensão e óxido sulfúrico (SOx). Um estudo alargado da Organização Mundial de Saúde relaciona tráfego automóvel com milhões de mortes por cancro do pulmão, pneumonia, DPOC, fibrose quística, cancro da bexiga e doenças cardiovasculares, provocando ainda autismo, asma e bronquite. A bicicleta não emite durante a sua locomoção qualquer poluente atmosférico nem Gás com Efeito de Estufa.
  4. Poluição sonora – A poluição sonora provocada por veículos motorizados provoca danos consideráveis para a saúde humana, como perda de audição, problemas ao nível endócrino ou hormonal, como estresse ou ansiedade e em casos mais severos degenera em doenças cardiovasculares, podendo mesmo dar origem a enfartes. A poluição sonora proveniente de rodovias, afeta também muito negativamente vários ecossistemas ambientais, essencialmente na fauna. Em Portugal, estima-se que as externalidades apenas alocadas à poluição sonora tenham um custo de 0,2 cêntimos de Euro por cada km percorrido de automóvel. Uma bicicleta emite níveis de ruído consideravelmente inferiores aos de um veículo motorizado.
  5. Espaço – Cada lugar de estacionamento ocupa cerca de 12 m2. Lisboa por exemplo, recebe diariamente cerca de 500 mil veículos automóveis. O parque de estacionamento equivalente para todos esses veículos, desconsiderando vias de acesso, teria a mesma área que a segunda maior freguesia da cidade de Lisboa. A elevada taxa de motorização de um país tem como consequência a construção de várias infraestruturas viárias e para parqueamento que ocupam espaço público. O estacionamento ilegal em larga escala é consequência direta dessa mesma falta de espaço. Esse espaço poderia ser usado para fins de lazer como jardins ou parques públicos, parques infantis, esplanadas ou campos de jogos. Uma bicicleta ocupa 7 a 9 vezes menos espaço que um automóvel.
  6. Eficiência energética – Um terço da energia que Portugal consome está nos transportes, onde a grande maioria se deve ao tráfego rodoviário, essencialmente automóveis. Na Europa, a taxa de ocupação média dos automóveis situa-se em cerca de 1.2 ocupantes por veículo. Considerando a capacidade energética da gasolina e considerando um consumo médio para um automóvel de 6 ltr/100km, um automóvel tem um consumo de cerca de 441 Wh por passageiro-km. Este consumo energético é cerca de 20 vezes superior ao da bicicleta (energia alimentar), sendo que no mundo ocidental devido à obesidade, existe algum excesso de energia alimentar por despender, cuja acumulação no corpo humano é até prejudicial.
  7. Economia – A utilização massiva da bicicleta tem várias vantagens económicas para o país, entre as quais os menores custos de deslocação, a poupança de tempo evitando-se também custos enormíssimos com congestionamento,  menores custos de construção e manutenção de infraestruturas, melhoria do saldo da balança comercial, redução da dependência energética e risco de abastecimento, a promoção da indústria nacional e emprego no ramo das bicicletas, a diminuição dos custos com saúde, o incremento da segurança rodoviária, o aumento do bem-estar pessoal e o consequente aumento de produtividade. Cada km percorrido de automóvel tem um custo ao país de 0,15 Euro, já cada km percorrido de bicicleta tem um ganho de 0,16 Euro.
  8. Segurança rodoviária – As políticas públicas urbanas de mobilidade para a atração de ciclistas, são as mesmas ou muito similares às políticas de promoção da segurança rodoviária. Os dados extraídos de diversos países europeus mostram invariavelmente que quanto mais km se circula de bicicleta, menor são as fatalidades por km percorrido. Existe uma relação inversamente proporcional entre a atividade ciclística em larga escala (em termos de km percorridos por pessoa-dia) e a sinistralidade rodoviária para esses mesmos ciclistas (fatalidades por km-pessoa). Pelo contrário, constata-se que para o automóvel não existe essa relação.