A MUBi com a colaboração de moradores do Olivais vêm por este meio mostrar total apoio à manutenção de ciclovias unidirecionais na Av. Cidade de Bissau, Av. Cidade de Luanda, Av. Pádua – as recentes ciclovias pop-up criadas nos Olivais, e garantir ligação à ciclovia existente na Av. Cidade de Lourenço Marques.

A MUBi tem acompanhado de perto e ao longo de mais de uma década o trabalho que se faz a nível internacional nesta matéria. Neste sentido, e recolhendo experiência de outras cidades/infraestruturas, alertamos para os seguintes questões:

  1. É fundamental ter uma visão global da freguesia procurando sempre a segurança dos utilizadores vulneráveis de forma holística – procurar reduzir a circulação de veículos motorizados e reduzindo a sua velocidade, em especial nas ruas locais e nos atravessamentos de utilizadores vulneráveis. Para tal é essencial a implementação de medidas físicas de acalmia de tráfego – em particular nas interseções.
  2. Nas vias principais, e onde não se considerar a possibilidade de velocidades abaixo dos 30 km/h, é  necessário criar uma rede ciclável estruturada que ligue vários pontos dentro da freguesia de Olivais às freguesias adjacentes. Neste momento, a ciclovia da Av. Cidade de Bissau não tem qualquer ligação à Av. Marechal Gomes da Costa, nem continuidade para Chelas, nem continuidade para a ciclovia já existente na Av. Lourenço Marques. É um pequeno troço no meio de “autoestradas” em que se praticam velocidades excessivas.
  3. Após a rede ciclável estar implementada, poderá e deverá ser feita a monitorização da sua utilização. Estes dados de monitorização deverão ser publicados, para que as decisões sejam tomadas de forma racional e transparente. Até à data, não houve tempo de experimentação da infraestrutura por parte de utilizadores de bicicleta, uma vez que esta ciclovia aparece desestruturada, nem houve tempo de avaliação por parte nem da Junta de Freguesia de Olivais, nem da Câmara Municipal de Lisboa.
  4. Estamos totalmente à disposição para colaborar com a JFO e CML, para dar o nosso feedback enquanto especialistas em mobilidade urbana e enquanto utilizadores do espaço público dos Olivais, nomeadamente em bicicleta. Gostaríamos de ser ouvidos e de poder participar nas consultas públicas e projetos que existem para o território Olivalense. Acreditamos que a JFO e CML não devem basear as alterações na sua infraestrutura tomando como critério de avaliação o descontentamento de algumas pessoas nas redes sociais.

Aproveitamos ainda para reforçar dois conceitos fundamentais  de forma a melhorar a segurança das pessoas que utilizam ciclovias:

  1. Ciclovias bidirecionais são especialmente perigosas nas interseções. Existe numerosa literatura publicada sobre este assunto.
  2. A maior parte das colisões acontecem nas interseções (especialmente as mais graves). 

Assim sendo sugerimos desde já algumas formas de melhorar a segurança das ciclovias pop-up:

  • Uma das formas mais eficazes de reduzir a gravidade dos conflitos nas interseções é através da redução significativa das velocidades dos veículos automóveis. Esta redução de velocidade deve ser feita pela redução dos raios de viragem, mesmo que numa primeira fase com pilaretes flexíveis ou eventualmente levantando a cota da interseção.  
  • Nas ciclovias da Av. Cidade de Luanda e Av. Pádua é necessário colocar alertas para quem vem na estrada saber que perde prioridade perante a passagem para velocípedes. (Tanto uma Sinalização vertical de aproximação de passagem de velocípedes, assim como colorir a ciclovia na interseção). Seguem em anexo imagens ilustrativas dos alertas que propomos.

A mobilidade activa traz vantagens a todos, tanto utilizadores com não utilizadores. Lisboa, em comparação com outras cidades Europeias, continua a ser ainda muito perigosa para pedalar no dia-a-dia devido à inexistência de uma rede ciclável interligada. É por isso fundamental aumentar a segurança dos utilizadores vulneráveis e este caminho só se consegue com a participação de todos. É preciso comunicar adequadamente qual a origem do perigo, que reside sobretudo no excesso de velocidade rodoviária e desrespeito por semaforização e passadeiras, de forma a criar sensibilização e literacia nos munícipes. Só assim é possível despertar atenção para a necessidade de segurança do utilizador vulnerável e avançar sem recuos para soluções mais sólidas, mais seguras e com futuro. Este não é o momento para recear a mudança e recuar para a cidade poluída e insegura do século XX que ninguém deseja. Este é o momento no qual urge uma transformação de freguesias e municípios que garantam o aumento do espaço pedonal e da rede ciclável de forma a aumentar a segurança dos utilizadores vulneráveis e assegurar uma distribuição mais equilibrada do espaço público. Sabemos e temos exemplos em Lisboa e noutras cidades que estas mudanças a curto prazo são por norma controversas, mas que a longo prazo e depois da transformação estar consolidada são bem aceites, apreciadas e estão na origem de cidades mais humanas e seguras. 

MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta

Com a colaboração dos seguintes moradores e utilizadores:

Anabela Lopes

André Ribeiro

António Lopes

Carla Gago

Catarina Lopes

Célia Sales

Francisco Ralha

Herculano Rebordão

Hugo Mendes

Margarida Ralha

Maria Luisa Ralha

Raquel Rebordão

Rodolfo Gonçalves

Rui Ribeiro

Teresa Rebordão

Tiago Rodrigues

Vanessa Carvalho

ANEXOS:

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