MUBi reuniu com Gabinete da Mobilidade da CML: Excesso de trânsito e compromissos vagos marcam balanço

Categorias

Representantes da MUBi reuniram com o gabinete do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Gonçalo Reis, que tutela o pelouro da mobilidade, no dia 02 de julho. 

A delegação da MUBi levou uma agenda focada em escolhas estruturantes para o futuro de Lisboa, materializadas no Manifesto Lisboa: Por uma Cidade Viva e Acessível, entregue na ocasião. 

Sendo o objetivo da reunião focado nas escolhas políticas, a ausência inesperada do vereador constituiu uma restrição ao alcance da reunião.

“Visão Zero” e desresponsabilização sobre a sinistralidade

Um dos pontos mais críticos da reunião prendeu-se com a segurança rodoviária. 

A MUBi destacou a necessidade de Lisboa adotar formalmente a Visão Zero (zero mortes e feridos graves no trânsito) e avançar com o prometido Plano Municipal de Segurança Rodoviária.

Os representantes do Gabinete informaram que estão previstas intervenções nas 30 vias da cidade com maior sinistralidade, mas foi sentida uma postura de desresponsabilização relativamente ao papel da autarquia perante a sinistralidade rodoviária, sendo o discurso focado no “civismo” e na “sensibilização” dos automobilistas e desvalorizado o papel do desenho urbano. 

A MUBi relembrou que intervenções recentes de repavimentação têm potenciado o aumento de velocidades (como na Estrada da Luz), e que novas intervenções deveriam acautelar este ponto.

Infraestrutura ciclável e pedonal: Planos avulsos e falta de ambição

Questionados sobre as conclusões da auditoria à rede ciclável realizada pela Copenhagenize e os planos de expansão da rede ciclável, os representantes da CML prometeram partilhar documentação, mas adiantaram pouca concretização, focando os exemplos em zonas de lazer como Monsanto e menos na função da bicicleta como meio de transporte quotidiano. 

Da mesma forma, o Plano de Acessibilidade Pedonal de 2013 foi abordado de forma vaga e com medidas avulsas, sem a ambição estrutural que a cidade exige e que o próprio plano estabelece, como a existência de uma rede de percursos pedonais, contínuos, confortáveis e seguros ou o direito do peão de transitar sem risco de atropelamento. 

Houve, contudo, abertura da autarquia para analisar propostas da MUBi na zona de Belém-Ajuda, onde é fundamental o alargamento da rede ciclável e do sistema GIRA, ficando o Gabinete de partilhar os planos para aquela área. Lembramos que está a decorrer uma petição pública Rede ciclável nas freguesias de Belém e da Ajuda, a solicitar à Câmara Municipal de Lisboa que “assegure a inclusão no planeamento municipal em curso, de um projeto concreto para a implementação de uma rede ciclável estruturante nas freguesias de Belém e da Ajuda, garantindo ligações seguras, contínuas e integradas com definição de traçados prioritários, calendarização e execução faseada.”

Restrição do trânsito no centro histórico e eixo de Almirante Reis

A MUBi defendeu a necessidade de restringir fortemente o trânsito automóvel na Baixa, no Chiado e em zonas centrais, sugerindo o alargamento de intervenções de pedonalização e acalmia de tráfego (seguindo exemplos bem-sucedidos como a Ribeira das Naus, Terreiro do Paço, Av. Duque d’Ávila ou Saldanha). O gabinete acolheu positivamente a sugestão de retirar o estacionamento automóvel na Rua do Alecrim e na Rua da Misericórdia, prometendo estudar a medida.

Foi também demonstrada abertura para criar um grupo de trabalho focado no eixo Almirante Reis / Martim Moniz, juntando a MUBi, as direções municipais de Mobilidade e Urbanismo e a Junta de Freguesia de Arroios.

Apoios à mobilidade ativa e próximos passos

No que toca a incentivos, o gabinete descartou a reposição de apoios municipais à compra de bicicletas elétricas, preferindo destacar o evento Bike Tour — uma visão que a MUBi considera inconsequente face à necessidade de promover a bicicleta como transporte diário e utilitário. 

Foi também demonstrada abertura para avaliar o retomar das contagens de bicicletas na cidade, suspensas há vários semestres.

No final da reunião, foi acordado um novo encontro para início de novembro. 

O Gabinete lançou ainda o desafio para que a MUBi acompanhe o Vice-Presidente Gonçalo Reis numa deslocação de bicicleta de sua casa até ao gabinete. A MUBi assume a disponibilidade para este desafio, salvaguardando que a iniciativa terá de reverter em compromissos políticos sérios e visíveis para a cidade.

Para a próxima reunião, a MUBi insistirá que a interlocução seja feita diretamente com o Vice-Presidente ou com o Presidente da CML, Carlos Moedas, exigindo que a boa vontade técnica se traduza em coragem política para transformar Lisboa.

Tags:

Relacionados