A MUBi reuniu recentemente com a EMEL e a Câmara Municipal de Lisboa para apresentar o seu parecer sobre a rede de estacionamento seguro para bicicletas BiciPark, um serviço que consideramos fundamental para promover a utilização quotidiana da bicicleta na cidade.

A existência de estacionamento seguro é uma das condições essenciais para que mais pessoas possam optar pela bicicleta nas suas deslocações diárias. Em Lisboa, muitas habitações não dispõem de arrecadações, garagens ou espaços adequados para guardar bicicletas, tornando os BiciParks uma solução importante para milhares de residentes.
Durante a reunião, a MUBi reconheceu os aspetos positivos do sistema. Em particular, destacámos o facto de os BiciParks responderem a uma necessidade real de quem não dispõe de espaço em casa para guardar a bicicleta. Ter a bicicleta acessível perto da residência aumenta significativamente a probabilidade da sua utilização regular e contribui para uma mobilidade mais sustentável.
Ao mesmo tempo, identificámos várias áreas que necessitam de melhoria. Entre os principais problemas reportados pelos utilizadores encontram-se as dificuldades no processo de pagamento e renovação das avenças, a existência de bicicletas armazenadas durante longos períodos sem utilização efetiva, a ocupação indevida de lugares destinados a bicicletas de carga, problemas de acessibilidade física em alguns parques e preocupações relacionadas com a segurança.
Foi também discutida a questão do preço. A MUBi considera que o valor cobrado pelo estacionamento de bicicletas deve ser analisado à luz da área efetivamente ocupada e dos benefícios públicos associados à mobilidade ativa. Defendemos igualmente que o pagamento de uma subscrição deve garantir a disponibilidade de lugar para o utilizador.
O BiciPark ocupa 3 lugares de estacionamento de carros. Cada avença de estacionamento para um carro custa 46,30€/mês. Assim:3×46,30€ = 138,90€/mês.
Nestes 3 lugares cabem 26 bicicletas, que pagam 7€/mês
26×7€ = 182,90€/mês
Incompreensivelmente, a EMEL lucra substancialmente mais com o estacionamento de bicicletas que com o de automóveis.
Entre as medidas propostas pela MUBi encontram-se:
- Simplificação e digitalização dos processos de pagamento, incluindo opções online e através de MB Way ou débito direto.
- Reforço da segurança através da melhoria dos sistemas de controlo de acesso e da instalação de videovigilância.
- Implementação de mecanismos de fiscalização para evitar o uso abusivo dos parques como espaços de armazenamento permanente.
- Melhoria das condições de acessibilidade, eliminando barreiras físicas e facilitando os acessos para bicicletas de carga.
- Reforço da fiscalização dos lugares reservados a cargo bikes e adaptação das suas dimensões às necessidades reais dos utilizadores.
A MUBi apresentou ainda exemplos de boas práticas internacionais, nomeadamente em Bruxelas, onde existe uma ampla rede de estacionamento seguro para bicicletas distribuída pela cidade. Estes sistemas combinam parques de grande dimensão junto a interfaces de transporte público com soluções de proximidade, como bike boxes residenciais, permitindo responder às diferentes necessidades dos utilizadores.

Em Bruxelas:
- Controlo de acesso (tag ou app)
- Colocadas junto a grandes interfaces de transporte público
- Lugares asignados com subscrição
- Lugares para não subscritores (gratuitos até 4 horas)
- Bicicletas não usadas 1x a cada 3 meses recebem aviso, seguido de remoção
Destacar que apesar do nível de salários em Bruxelas ser muito superior ao de Lisboa os preços são substancialmente mais baratos:
- Subscrição anual (15€ por bicicleta, 30€ por cargo bike)
- Nos parques grandes, as cargo bikes pagam os mesmos 15€ que uma bicicleta normal
- Nos parques grandes, há lugares gratuitos para não subscritores para estacionamento até 4 horas, e depois disso €1.25/24h
Em Lisboa, o estacionamento de bicicletas custa quase 6 vezes mais que em Bruxelas!
Defendemos que Lisboa deve apostar numa estratégia semelhante, complementando os atuais BiciParks com uma rede mais capilar de pequenos abrigos seguros distribuídos pelos bairros residenciais. A cidade dispõe de numerosos espaços subutilizados que poderiam ser aproveitados para este fim, aproximando o estacionamento seguro das habitações e tornando a bicicleta uma opção mais prática para um maior número de pessoas.
A MUBi agradece a abertura demonstrada pela EMEL e pela Câmara Municipal de Lisboa durante esta reunião e continuará a colaborar construtivamente para que Lisboa disponha de uma rede de estacionamento para bicicletas mais acessível, segura, eficiente e adequada às necessidades atuais e futuras da cidade.
Consultar a apresentação da MUBi: