À Administração do Metro de Lisboa,

Foi com agrado que, após vários anos de espera, os utilizadores de bicicleta da cidade de Lisboa viram alteradas as condições de transporte de bicicletas no Metro de Lisboa, que passaram a permitir, desde o passado Setembro, o seu transporte a qualquer hora do dia.

Os ciclistas de Lisboa gostam do Metro de Lisboa e do excelente serviço que a empresa presta à cidade. Sabemos bem que é um serviço imprescindível para a cidade. Gostamos de pedalar à superfície, mas vemos o Metro como um modo complementar muito útil e um meio que pode levar mais pessoas a usar o metro e a bicicleta em Lisboa, pois permite percorrer maiores distâncias, em alguns casos mais rapidamente, e vencer os desníveis mais desafiantes.

Não obstante, a proibição de utilização das escadas rolantes e elevadores, tal como consta dos cartazes recentemente afixados, é fortemente penalizadora da utilização do Metro de Lisboa (senão mesmo impossível) por parte dos utilizadores de bicicleta. Basta imaginar o que é subir a escadaria da Baixa Chiado com uma bicicleta ao ombro, mais o peso da mala e/ou a mochila que qualquer um consigo transporta diariamente. Foi para estes casos – de transporte de objetos pesados, como carrinhos de bebé, cadeiras de rodas, malas e afins – que se fizeram os elevadores e também as escadas rolantes. Ora não faz muito sentido proibir o transporte das bicicletas nas escadas rolantes, quando não há alternativa (elevador ou calhas próprias para o efeito).

Contudo, numa sessão pública em 25 de outubro, o Diretor de Operações do Metro de Lisboa, José Bagarrão, numa postura construtiva e positiva, disse que iria corrigir essa restrição. No entanto, verificamos que os cartazes continuam expostos nas estações e continuam a ser distribuídos panfletos, enunciando essas mesmas regras.

Tendo em conta que:

  • Encorajar a multimodalidade e intermodalidade é uma das questões mais importantes para garantir o conforto e atratividade de um sistema transporte público.

  • Pela melhoria do serviço prestado, pela responsabilidade social, por uma acessibilidade universal e inclusiva, por questões de imagem e marketing, grande parte das empresas de transporte público na Europa promove a intermodalidade e o uso da bicicleta com campanhas positivas e criativas.

  • A acessibilidade para todos deveria ser uma das prioridades do Metro de Lisboa.

No entanto:

  • Os referidos cartazes revelam uma postura hostil e de desconfiança perante os clientes, que mais parece ter origem no departamento jurídico, e que projetam a imagem de uma empresa à “defesa” em relação às novas tendências de mobilidade urbana e a clientes que durante décadas conviveram bem com o Metro de Lisboa e os demais utentes.

  • A interdição do transporte de bicicletas em escadas mecânicas, tapetes rolantes e elevadores torna impossível o uso da bicicleta na rede de metro. Outras empresas de transporte no mundo, inclusive a CP, não restringe o transporte de bicicletas em escadas rolantes (ver fotografia com exemplo holandês). Em algumas estações o único acesso à plataforma é por escadas rolantes, o que, na prática, impossibilita o transporte “legal” da bicicleta nessas estações.

  • As escadas de acesso ao Metro de Lisboa não possuem “calhas” nem rampas de ajuda à subida das bicicletas (ver imagem e fotografia exemplificativas).

  • As Estações de Metro não possuem bicicletários no seu interior (ver exemplos internacionais nas fotografias em anexo).

Por tudo isto, apesar de compreendermos que se estabeleça e publicitem regras, consideramos que as atuais restrições não se coadunam com a postura apropriada de uma empresa de Transporte Público a par com os tempos e a cidade que serve.

Gostaríamos, por isso, de sugerir com esta carta uma reunião com os vossos departamentos de operações, marketing e responsabilidade social, de forma a encontrar formas criativas de corrigir a atual estratégia, que ainda impede o uso pleno da rede de Metro pelos utilizadores de bicicleta. A MUBi é uma associação de ciclistas urbanos que trabalham juntos para melhorar as condições para o uso da bicicleta como meio de transporte utilitário e recreativo em Portugal, e desde já se disponibiliza para ajudar o Metropolitano de Lisboa a encontrar e promover soluções que permitam o transporte de bicicletas em segurança.


Escada rolante na Holanda com instruções para serem usadas por quem transporta bicicleta.


        

Exemplos de instalações de calhas de apoio ao transporte de bicicletas em escadas

Bicicletários nas estações de metro do Rio de Janeiro


Bicicletários nas estações de metro da Cidade do México

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