Apresentação do projecto VOCA na conferência Velo-City 2013, em Viena
Decorreu na semana passada, em Viena, a conferência internacional Velo-City 2013, a maior conferência mundial sobre a bicicleta.
Esta série de conferências teve início em 1980 e inspirou a criação da ECF – European Cyclists’ Federation (“Federação Europeia de Ciclistas”), que organiza as conferências até hoje. A MUBi é membro da ECF desde 2011.
Citando e traduzindo do site oficial a apresentação desta série de conferências:
As conferências Velo-City funcionam como uma plataforma global de comunicação e informação com o objectivo de abordar os decisores de forma a melhorarem o planeamento e provisão de infraestruturas para o uso quotidiano da bicicleta em ambientes urbanos. As conferências Velo-City juntam normalmente mais de 1.000 delegados tais como engenheiros, técnicos de planeamento urbano, arquitectos, profissionais do marketing social, investigadores académicos, ambientalistas, empresários, e representantes da indústria, que juntam esforços com todos os níveis de governo de modo a construir parcerias transnacionais eficazes para levar os benefícios do uso da bicicleta a todo o mundo. Os objectivos das conferências Velo-City são:
- Difundir internacionalmente conhecimento de elevada qualidade sobre a bicicleta e o planeamento de transportes.
- Demonstrar publicamente os benefícios que as cidades com boas políticas de uso da bicicleta oferecem aos seus cidadãos, empresas e outros.
- Encorajar o reconhecimento da bicicleta como um modo de transporte eficiente, saudável, amigo do ambiente, e promover o seu uso alargado.
- Integrar o planeamento da bicicleta no planeamento de transporte e no ordenamento do território, e outros sectores de política relacionados com a bicicleta.
- Buscar o envolvimento de todos os actores relevantes.
O projecto VOCA – Volunteers of Cycling Academy, na qual a MUBi participa, submeteu um abstract para a Velo-City, redigido pelo Colm Ryder, da Dublin Cycling Campaign, que foi aceite, e coube-me a mim, em representação primeiro da MUBi, e depois desta em relação aos membros do VOCA, apresentá-lo na conferência, no passado dia 12 de Junho. A minha inscrição (pelo VOCA) na conferência foi gentilmente patrocinada pela organização da Velo-City, o meu alojamento foi em regime de couchsurfing e as restantes despesas associadas à viagem foram suportadas pelo orçamento do projecto VOCA.
Podem consultar os slides da apresentação aqui:
Entretanto fomos convidados a preparar um artigo sobre o VOCA para a Velo-city After-Conference Magazine, que será publicada em Agosto!
Como bike geek que sou, sempre que tive oportunidade, fotografei todas as bicicletas interessantes que encontrei, além de exemplos de infraestrutura e demais bicicultura com que me deparei, que podem aceder aqui. Foi a minha segunda ciclo-visita a Viena, depois do encontro do VOCA no ano passado, e podem aceder às fotos da cidade aqui.
Para me deslocar usei as bicicletas do sistema de bikesharing de Viena, e andei a pé e de comboio e metro. A inscrição na conferência inclui a utilização gratuita do sistema de transporte público da cidade. As City Bike Wien são práticas, mas nada como usar a nossa própria bicicleta! É chato não ter bicicletas na estação mais próxima quando se precisa de uma, ou não ter lugar livre para a devolver quando precisamos. São também pesadas, desconfortáveis e sem mudanças ou apenas com 3 mudanças. As bicicletas do sistema NextBike eram melhores, pelo menos eram mais leves e tinham mais mudanças (7), mas já estavam esgotadas quando chegou a minha vez. Mas na exposição da Velo-City estavam pelo menos dois novos sistemas de 4ª geração que ajudariam a melhorar a questão da capacidade das estações, pelo menos, um dos quais é português!
Na lista de participantes aparecem 5 portugueses, mas houve pelo menos 8 a participar na conferência. Nenhum deles de instituições governamentais. Por mais elitista que esta conferência seja (a inscrição normal, para os 4 dias, foi de 810 € este ano), tornando-a menos acessível aos interessados de países mais pobres e periféricos como Portugal, é um sinal muito negativo para Portugal a falta de interesse e investimento das autarquias e demais instituições públicas em participar neste evento. Seria um exercício interessante investigar correlações entre o número de participantes de cada país e o peso da bicicleta na sua distribuição modal e economia.
Com 10 salas com sessões em simultâneo, houve realmente muitas apresentações, workshops, mesas-redondas, etc. Montes de coisas interessantes. A infraestrutura (seja rodoviária, parqueamenteo, etc) tem sempre grande presença, mas houve muitas intervenções sobre o software. Estudos, campanhas e programas de incentivo e apoio ao uso da bicicleta. E é inevitável contrapôr a situação portuguesa, claro, e perceber que o investimento nesta área é nulo. O incentivo à bicicleta em Portugal tende a limitar-se a pouca e muitas vezes desadequada infraestrutura, negligenciando totalmente o papel que campanhas de sensibilização e programas de apoio e incentivo ao uso da bicicleta têm no crescimento do mesmo.
A única campanha relacionada com o uso da bicicleta de que tenho memória é a recente promovida pela ANSR/SportZone/FPCUB, e não é de promoção do uso, mas de tentativa de sensibilização & disciplinação dos utilizadores de bicicleta.
Assisti a uma apresentação sobre as oportunidades, dificuldades e necessidades especiais de ciclistas mais velhos, e soube assim de um estudo que está a decorrer e visa investigar a relação entre a boa forma física e a redução dos acidentes no mais velhos. As pessoas a partir dos 60 anos têm mais acidentes a solo, causados geralmente pelo subir e descer da bicicleta (uma tendência que observo na minha actividade profissional como instrutora de condução de bicicleta), mas também pela maior dificuldade em reagir a surpresas como irregularidades no piso e pela falha em olhar para trás ao efectuar algumas manobras. Esta questão pode ser minimizada com treino e melhoria da condição física geral das pessoas, ou simplesmente optando por triciclos. Contudo, os triciclos sofrem ainda de alguns problemas que afectam negativamente a sua maior adopção: as pessoas não sabem que eles existem, ou não sabem onde os comprar, as infraestruturas segregadas são, muitas vezes, desadequadas em largura, há maiores dificuldades no seu estacionamento e arrumação, são associados aos deficientes (atraem muita atenção), e muitas pessoas têm simplesmente a ideia pré-concebida de que “há uma idade para parar de pedalar”. É preciso formação e promoção!
Uma apresentação interessante foi a do John Brazil, sobre a Bike Party, em San Jose, nos EUA. Fiquei com vontade de lançar uma em Lisboa, e espero voltar a esta ideia. Vejam os interessantes resultados do inquérito que fizeram aos participantes.
A apresentação do Dave Horton (que já tivémos o prazer de receber como orador numa das tertúlias da MUBi), foi muito interessante. Falou sobre como o medo de andar de bicicleta tem sido construído através de: 1) educação para a segurança rodoviária, 2) promoção do uso do capacete, e 3) a segregação dos ciclistas.
Ilustra bem o trabalho que tem que ser feito para mudar as percepções das pessoas.
A Sabine Kubesch falou sobre a importância da boa forma física, explicando que há uma correlação entre esta e a inteligência, resultados académicos e situação sócio-económica. O exercício físico, como andar de bicicleta, afecta, melhorando, as funções executivas do cérebro. Pedalar faz-nos mais inteligentes!
Num workshop sobre bicicletas eléctricas, falaram de um estudo na Holanda que demonstrou que um ciclista numa bicicleta normal anda 18 Km por semana, enquanto um ciclista numa pedelec (bicicleta com assistência eléctrica) anda 31 Km. Ou seja, quando migram para uma e-bike usam mais a bicicleta, algo que vai de encontro também à minha experiência pessoal. As bicicletas eléctricas são um bom susbtituto do automóvel para quem se desloca de fora da cidade e que para tal percorre distâncias de até 20 Km, por exemplo.
Outros temas foram a formação de ciclistas e de formadores, campanhas de motivação, comunicação e inovação, lobbying, micro-logística em bicicleta, estudos de acidentes envolvendo ciclistas, etc. Um estudo que suscitou muito interesse, e cuja apresentação será publicada aqui a dada altura, debruçou-se sobre os acidentes com ciclistas nas ruas com contra-sentido para bicicletas, em Bruxelas. Isto é muito relevante para Lisboa, que tem muitas ruas actualmente de sentido único para todos os veículos, sem excepção para as bicicletas.
A próxima edição da Velo-City será Global, em 2014, na cidade de Adelaide, na Austrália!
A MUBi foi convidada para uma audiência na Assembleia da República no passado dia 10 de Maio, perante o grupo de trabalho que está a discutir na especialidade as propostas de revisão do Código da Estrada.
Representada pela Ana Pereira e João Barreto, a MUBi analisou os defeitos das três propostas de revisão em discussão e defendeu a mesma posição que tinha enviado aos deputados em Março, e que pode consultada aqui.
No geral, a audição foi produtiva e permitiu esclarecer aos deputados alguns defeitos graves das propostas em discussão.
Esperemos agora pelo articulado final da proposta de revisão do Código da Estrada para saber se as preocupações dos utilizadores de bicicleta foram atendidas e se o novo Código da Estrada é, de facto, mais seguro para peões e utilizadores de bicicleta.
Os slides da apresentação da MUBi podem ser vistos abaixo.
E o áudio está disponível aqui.
Por ocasião da conferência ICHC2013 (XXIVth International Cycling History Conference) em Lisboa, a MUBi organiza na próxima na próxima 4ª-f mais uma tertúlia.
Depois de Dave Horton e Joel Crawford, desta vez o nosso convidado é Carlton Reid, editor dos websites BikeBiz.com, QuickRelease.tv e BikeHub.co.uk, e autor de vários livros sobre a bicicleta: “The Complete Book of Cycling”, “Family Cycling”, “Bike to Work”, e em breve “Roads Were Not Built for Cars“. O Carlton escreve sobre bicicletas e viagens há 24 anos. Colabora regularmente com artigos para jornais de grande tiragem como o The Guardian e The Independent. É ainda o fundador do website IPayRoadTax.com.
Como sempre, a tertúlia é aberta à participação de todos. Apareçam!
Dia/hora: 15 de Maio às 19h
Local: Livraria Ler Devagar, LX Factory, Rua Rodrigues de Faria, 103 (Alcântara, Lisboa)
Mobilidade da família: custo e oportunidade de mudança
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Em plena grande recessão fica cada vez mais evidente a necessidade em ajustar o modo de vida das famílias às novas circunstâncias de escassez, procurando sermos mais poupados e eficientes no uso dos recursos disponíveis, com comportamentos que consigam esticar o orçamento familiar ao máximo. No caso português em concreto, a percentagem média dos recursos financeiros atribuído às deslocações representa 12,4% do orçamento das famílias1, e a situação tende a agravar-se com a sistemática subida do preço dos combustíveis, o consequente aumento de tarifas nos transportes públicos, bem como a eliminação de descontos na maioria dos passes para jovens, ou em alguns casos da saída de transportadoras dos sistemas de passe intermodal, como se prevê com a VIMECA em Oeiras e Amadora.2 A somar ao aumento do custo das deslocações das famílias, os transportes públicos nem sempre apresentam uma solução viável para todos os locais ou horários, e no caso da ferrovia, a greve ou a avaria já se tornou mais a regra do que a exceção. Como podem as famílias portuguesas dar a volta a este dilema? Quais os custos reais da mobilidade das famílias? Existem alternativas para o atual estado de coisas ou teremos que nos conformar com esta receita insustentável? O que pode cada família fazer para mudar e melhorar um dos problemas mais críticos da sociedade portuguesa, a dependência no automóvel, com todos os custos que isso acarreta?
Tertúlia com Joel Crawford na Ler Devagar (Lisboa)
Na próxima 6ª feira, 3 de Maio, a MUBi com a ACA-M organiza uma tertúlia com Joel Crawford, o conhecido autor de dois livros de referência sobre cidades livres de automóveis, para assinalar também o inicio da Semana Mundial de Segurança Rodoviária dedicada à segurança pedonal que decorrerá de 6 a 12 de Maio.
A tertúlia é aberta à participação de todos.
Dia/hora: 3 de Maio às 19h
Local: Livraria Ler Devagar, LX Factory, Rua Rodrigues de Faria, 103 (Alcântara, Lisboa)
We are faced today with problems of unprecedented scale and scope. Never before has human society confronted problems that affect our entire planet and threaten the continued existence of civilization itself. In the past, individual societies have declined and even disappeared, but never has all humanity been under threat, and never from so many simultaneous threats of such magnitude. We are living at a time when our actions will dramatically affect all of those who come after us. The responsibility we bear is enormous.I want to talk today about one approach that solves many of our problems while also actually improving the quality of our lives. My vision for sustainable cities of the future is a simple one: it is of streets dedicated to human, not mechanical, uses, to social rather than transport needs, to beauty and health. I believe that the urban form developed in the last half of the 20th century does not serve human needs well and cannot long be sustained. Change must come; the only real question is the form of that change. My vision of future cities looks more like the past than the present. Its roots can be found in the arrangements we used when energy was scarce and expensive, or until about the end of the 19th century.The proposal is simple, even if its implementation is complex. We should start now to remove cars from our cities, with the ultimate goal of completely eliminating them from urban areas. It took a century to build a society based on automobile transport, and it will probably take a century to reverse this. Climate change alone is a sufficient reason to adopt this approach. We should start now.
Joel Crawford
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Feed RSS- Apresentação do projecto VOCA na conferência Velo-City 2013, em Viena 17 de Junho de 2013 anapereira
- A MUBi foi recebida no Parlamento para dar o seu parecer sobre a revisão do Código da Estrada 23 de Maio de 2013 jpbarreto
- Tertúlias da MUBi #3: Carlton Reid 13 de Maio de 2013 paulovieira
- Mobilidade da família: custo e oportunidade de mudança 4 de Maio de 2013 Bernardo Campos Pereira
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